Num dos seus textos que chegaram até nós, o grande poeta e político ateniense Sólon anotou: “uma cidade perece por causa de seus homens muito grandes”. Preocupava-se o notável legislador grego com a realidade da Atenas de seu tempo, vítima da discórdia entre seus concidadãos e da avareza e cobiça de seus governantes, que pensavam somente nos próprios interesses.
Em Assis, costuma-se lamentar que a cidade tenha, ao longo das últimas décadas, perdido importância econômica e política, em comparação com outras cidades próximas. Para muitos, essas perdas se devem ao fato de que há um bom tempo a cidade não elege nenhum Deputado local, o que é atribuído à falta de união entre nossos políticos. Não acredito muito nessa tese de que o progresso de Assis tenha-se estancado por falta de representação parlamentar própria. Sem dúvida, a existência de parlamentares da cidade faz crescer a autoestima. Mas deputados de outras regiões, com interesses eleitorais em Assis, bem trabalhados, podem conseguir até mais benefícios para a cidade e a região.
O desenvolvimento ou estagnação de uma cidade ou uma região depende de circunstâncias geopolíticas e econômicas muitas vezes aleatórias. É, em grande parte, produto do acaso. Não obstante, a determinação de uma comunidade, planejando e executando competentemente políticas de desenvolvimento de médio e longo prazo, acrescida de um pouco de sorte, pode fazer a diferença e ajudar muito, convertendo acaso em ocasião.
A meu ver, não falta propriamente união de Assis em torno de um candidato a deputado; falta união de Assis em torno dela mesma. Faltam projetos de desenvolvimento, falta ousadia, falta fomento. Os poucos projetos que aparecem, geralmente não são examinados seriamente, nem apoiados. Nossos “homens do dinheiro” são extremamente conservadores. Nada querem arriscar. No máximo, constroem prédios, casas e casinhas, para alugar. Nada contra. Não se trata de crítica, mas de mera constatação. Uma cidade sem espíritos empreendedores e ousados não pode pretender ir muito longe. Também me parece que a suposta vocação da cidade para se tornar um grande centro de compras é um pouco ilusória. Salvo se nossos empresários começarem a investir no comércio eletrônico. Ninguém consegue competir com o chamado “e-comércio” e ele tende a se alastrar. É só uma questão de tempo.
Por fim, a vida política assisense tende à mediocridade. É personalista e autoritária. Não se pratica democracia, diálogo, respeito ao pensamento divergente. A intolerância, travestida às vezes de rancor, perseguição e desdém superior, é a sua marca registrada. Nunca iremos longe com essa postura. Assis só caminhará em círculo, enquanto continuar refém de um fenômeno recorrente: os adversários de ontem se tornam os correligionários de hoje e os parceiros de hoje se transmudam nos detratores de amanhã. Essa alternância de amores e ódios mostra bem o quanto a política assisense se apóia na escassez de princípios, em relações puramente emocionais e no imediatismo interesseiro. Sem pretender ser o dono da verdade, recorro à expressão de um poeta: “Força é mudares de vida”, Assis. Nesse ano de eleições municipais, oxalá consigamos encontrar o candidato ideal, para uma cidade ideal. (jblima@femanet.com.br)