Neste final de semana tivemos uma triste e prematura despedida.
Pedro, após a “via sacra” em muitas unidades de saúde do sistema público de Assis – PSF da Prudenciana, Pronto Atendimento do Maria Isabel e Pronto Socorro Municipal – e não ter sido atendido adequadamente, seus familiares o levaram a um Hospital particular de nossa cidade, onde o médico neurologista o encaminhou com urgência ao Hospital Regional, sendo internado na UTI, num quadro clínico complexo.
De sábado 28 de janeiro, até o último sábado (04/02), a família deste jovem passou por um martírio. Esta “via crucis” teve seu ápice do sofrimento na sexta (03/02), quando a notícia de que o Pedro teria tido “morte encefálica”.
Involuntariamente, instalou-se na casa da família, uma vigília de esperança. Com certeza, todas as pessoas que estavam na casa dos familiares, tinham esperança de que: a qualquer momento, alguém do hospital ligaria, dizendo que a sua saúde já estava se restabelecendo. Afinal, todos acreditavam no GRITAR desesperado da vida. Mas, infelizmente, por volta das 9h da manhã de sábado, 04, os familiares receberam a notícia de sua morte total.
Estava na casa da família quando chegou essa triste notícia. Sinceramente, o que eu mais queria naquela situação: que o prefeito, vereadores, políticos, médicos, profissionais de saúde vissem como a mãe de Pedro (Ivanilda) “passava” a camiseta do seu filho, para vesti-lo pela última vez. Era um gesto pequeno e até imperceptível, mas, olhei aquilo como uma oferenda. Um sacramento e ritual sacro. Porque ela, ao passar aquela roupa, fazia este gesto com a certeza de que seria a última roupa que passaria para o filho. Um gesto de amor. E a cada lágrima caída do rosto daquela mãe sobre a camiseta que era passada me serviu de combustível para que eu, na qualidade de munícipe, cidadão assisense, sabedor e cumpridor dos meus direitos e deveres, não deixasse este caso impune.
Manifesto-me, para que mais pessoas ou familiares não sintam esta mesma dor: perder uma pessoa amada porque certos médicos e equipes de saúde não tiveram a coragem de olhar para a pessoa enferma e tratá-la com dignidade e humanidade.
O fim poderia ter sido o mesmo – a morte – entretanto, com certeza, se tivessem cuidado do Pedro com humanidade, no primeiro momento que ele procurou o recurso da saúde pública. A família estaria naturalmente sentindo sua falta, mas, estaria aliviada, pois, saberia que as pessoas da saúde pública esgotaram todas as possibilidades para “salvar” seu ente querido. Mas, isso não aconteceu, e o tratamento dado a este ser humano e seus familiares foi humilhante. Justiça seja feita, a equipe do Hospital Regional não se inclui nesta lista de negligentes, pois, quando Pedro lá se instalou, a equipe profissional fez o possível para “salvá-lo”.
Sabemos que este não foi o primeiro caso e, infelizmente, não será o último. Mas, se familiares e sociedade protestassem com mais constância, talvez esses descasos aconteçam com menos frequência. Não tenho dúvida disso.
À família minha solidariedade.