Política

Por 5 a 0, Aécio vira réu em ação no Supremo

Senador do PSDB mineiro agora responderá ao primeiro processo no STF, por corrupção e obstrução de Justiça.

R7

BRASÍLIA, DF – Por unanimidade, a Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) tornou o senador Aécio Neves (PSDB-MG) réu pela primeira vez na Corte. O caso, que também envolve outras três pessoas, está relacionado ao recebimento de R$ 2 milhões da JBS.

Integram a turma os ministros Marco Aurélio Mello (relator), Rosa Weber, Luís Roberto Barroso, Luiz Fux e Alexandre de Moraes.

Com o julgamento, o senador; a irmã dele, Andrea Neves; o primo dele, Frederico Pacheco; e o ex-assessor do senador Zezé Perrella (PSDB-MG), Mendherson Souza Lima vão responder a processo no STF por corrupção passiva e tentativa de embaraçar investigação de infração penal que envolva organização criminosa.

Essa é a primeira vez que Aécio Neves se torna réu em uma ação penal no Supremo. Ele responde a outros oito inquéritos na Corte.

O ministro Luís Roberto Barroso sustentou, durante o voto, que Aécio usou o cargo de senador para a prática de crime.

Já o ministro Alexandre de Moraes, considerou apenas a imputação do crime de corrupção passiva. Ele não reconheceu a denúncia de obstrução da investigação atribuída somente a Aécio Neves, mas foi voto vencido.

O episódio envolve o pedido e pagamento de R$ 2 milhões em espécie a Frederico Pacheco. Aécio e Andrea foram gravados negociando o valor com o delator e sócio da JBS Joesley Batista, no começo de 2017.

A Polícia Federal acompanhou o caso de perto e chegou a flagrar a entrega do dinheiro, que passou também por Mendherson Souza Lima.

Em sua defesa, o senador diz que tudo se tratou de uma relação bilateral e entre pessoas físicas, um pedido de empréstimo para pagar honorários advocatícios. A PGR (Procuradoria-Geral da República) contesta essa versão e sustenta que era propina.

Aécio se manifestou logo em seguida e disse que recebe “com serenidade a decisão”. Ele disse que está “confiante” de que poderá apresentar provas que comprovem a sua defesa.

“Estou sendo acusado tendo como base uma ardilosa armação de criminosos confessos, aliados a membros do Ministério Público, que construíram um enredo para aparentar que cometi alguma ilegalidade. Não cometi crime algum”, disse em nota.

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