Polícia

Família alega que casal morto em acidente de moto era perseguido por viatura da PM

Felipe Henrique Delmenico, de 21 anos, e a namorada dele, de 17, morreram após batida, em Bocaina-SP. Caso é investigado pela Polícia Civil e PM nega perseguição.

G1 | Redação

BOCAINA-SP — Parentes do casal de namorados que morreu após se envolver em um acidente de moto, em Bocaina-SP afirmam que o motociclista Felipe Henrique Delmenico, de 21 anos, era perseguido por uma viatura da PM quando bateu a moto em um poste no último domingo, dia 29, no bairro Xerxes Bartelotti.

A Polícia Militar negou que houve perseguição e afirmou que fazia no momento do acidente um patrulhamento. Disse ainda que os policiais não têm qualquer envolvimento com a colisão.


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Felipe morreu ainda no local da batida. A namorada dele, Sarah Cristina Moraes Pereira, de 17 anos, chegou a ser socorrida e levada para Santa Casa de Jaú, mas não resistiu aos ferimentos. O pai de Sarah, Carlos Eduardo Lourenço Pereira, conta que o acidente aconteceu bem próximo da casa onde moram.

“Os dois tinham combinado de ir comer um lanche e foram de moto. A perseguição começou em uma avenida aqui de Bocaina e chegou até aqui em casa. Eles passaram aqui em frente e a viatura atrás. Logo depois ele perdeu o controle em uma curva e bateu. Minha filha caiu antes e coisa de dois segundos a viatura já estava no local do acidente.”

Casal estava em uma moto de 600 cilindradas quando sofreu o acidente em Bocaina — Foto: Antônio Carlos Bispo do Carmo/Divulgação

Casal estava em uma moto de 600 cilindradas quando sofreu o acidente em Bocaina — Foto: Antônio Carlos Bispo do Carmo/Divulgação

Segundo Carlos Eduardo, Felipe estava com a CNH cassada desde março deste ano e ele já havia alertado o genro sobre o risco de dirigir a moto com a documentação irregular. Mesmo assim, ele acredita que a perseguição foi desproporcional.

“Eles perseguiram tanto, correram tanto que ele ficou desesperado e se perdeu. Então, acabou batendo. Não tinha necessidade disso. Eles não eram bandidos para serem perseguidos assim”, desabafa.

O pai de Felipe, Albertino Delmenico, também alega que houve perseguição e que a PM não agiu da forma correta.

“Pelo o que o pessoal nos passou não houve uma abordagem. Eles não pediram para ele parar, só começaram a perseguir assim que viram a moto. E nesses casos tinham que dar algum aviso, a sirene ligada pelo menos para indicar que estavam atrás dele”, afirma.

Albertino confirmou também que o filho estava com a carteira de habilitação cassada, mas que sempre teve o sonho de conseguir comprar uma moto mais potente. Sonho que havia realizado havia cerca de dois meses, por isso continuava andando com ela.

“Ele tinha uma CG antes, mas sempre teve o sonho de ter uma moto maior. Era jovem, gostava dessas coisas de moto, velocidade. Ele conseguiu comprar essa moto nova que era 600 cilindradas.”

O casal foi enterrado no dia 30 de setembro e dezenas de motociclistas acompanharam o cortejo como forma de homenagem a Felipe.

Família alega que houve perseguição da PM antes do acidente em Bocaina — Foto: Antônio Carlos Bispo do Carmo/Divulgação

Família alega que houve perseguição da PM antes do acidente em Bocaina — Foto: Antônio Carlos Bispo do Carmo/Divulgação

PM nega perseguição
A Polícia Militar, por meio do setor de Comunicação Social do Batalhão de Jaú, informou que no dia do acidente a viatura em patrulhamento cruzou com o motociclista que acelerou a moto, buscando um distanciamento maior da viatura e que a atitude do condutor chamou a atenção dos policiais já que esse tipo de comportamento é entendido pelos policiais como atitude suspeita.

Reforçou ainda que não houve por parte dos policiais emprego ou uso excessivo da força e que os eles não têm responsabilidade no acidente.

Ainda de acordo com a Polícia Militar, ao “iniciar o acompanhamento, por se tratar de via pública, os policiais adotam uma série de medidas, e que o cumprimento do dever, como localizar criminosos, é prioridade. Mas que para isso são adotadas uma série de medidas visando proteger a vida de terceiros”.

A Polícia Militar reforçou que no momento do acidente não realizava uma perseguição e, sim, um patrulhamento, e que nesses casos, de perseguição, faz uso de alerta sonoro e luminoso para alertar sobre a ação em andamento e que a não utilização de sinal, sonoro, deixa isso claro.

A Polícia Militar informou ainda que “na noite dos fatos os superiores responsáveis pelo patrulhamento estiveram no local e não constataram a princípio nenhuma situação que pudesse colocar em dúvida a conduta dos oficiais em serviço”.

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que foi aberto um inquérito policial para investigar as causas do acidente.

Ainda de acordo com a SSP, o caso foi registrado inicialmente como homicídio culposo na direção de veículo e lesão corporal na direção de veículo, pois uma das vítimas não morreu no local do acidente.

A nota ainda completa que a PM esclarece que não houve registro de acompanhamento com o envolvimento de viatura na ocorrência.

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