em Ourinhos

Filha de morto em briga por sinal de wi-fi diz que pai estava ansioso para a chegada do primeiro neto


Grávida de quatro meses, filha de Alexandre Vita, assassinado a facadas dentro de casa em Ourinhos (SP) pelo vizinho, diz que o pai seria um avô carinhoso. Suspeito confessou crime e foi autuado por homicídio culposo.

G1 | Redação

Em postagem numa rede social, Ianara Vita diz esperar que o pai, Alexandre Vita, vivesse “mais uns 100 anos”: “Não sei o que fazer sem você perto de mim” — Foto: Instagram/Reprdução

OURINHOS-SP — A filha do funcionário público de 47 anos que morreu esfaqueado durante uma briga com o vizinho por causa do sinal de internet, em Ourinhos (SP), contou que o pai, Alexandre Vita, de 47 anos, seria avô pela primeira vez.

Grávida de quatro meses, a manicure Ianara Alvim Belo Vita, de 19 anos, diz que seu pai seria um avô carinhoso da mesma forma como ele agiu com seus filhos. Além da manicure, Alexandre Vita também era pai de Igor Alvim Belo Vita, atualmente com 25 anos.

“A gente se via todos os dias e ele acompanhava todos os passos da minha gravidez. Queria saber tudo o que os médicos diziam nas consultas. Ele estava muito animado e com certeza trataria seu primeiro neto como tratou a mim e a meu irmão, com muito carinho”, diz Ianara.

A manicure diz que jamais imaginou passar por uma situação semelhante e nem que perderia o pai pouco tempo antes dele conhecer o primeiro neto.

Em uma postagem em uma rede social, em 2016, Ianara festejava o aniversário do pai e dizia esperar que ele vivesse “mais uns 100 anos” porque não saberia o que fazer.

O funcionário público Alexandre Vita com os filhos Ianara e Igor Vita, ainda crianças: “Também seria um avô carinhoso”, diz a filha — Foto: Arquivo pessoal

A aposta que ele seria um avô carinhoso, segundo a manicure, surgiu também por seu histórico profissional.

“Ele trabalhava como inspetor de alunos em uma escola de Ourinhos e era muito querido no local”, diz.

Ao arrumar os armários do pai após sua morte, Ianara Vita conta que encontrou dezenas de desenhos feitos pelas crianças da escolinha onde ele trabalhava. Segundo ela, o funcionário público guardava todos os presentes que recebia dos alunos.

Alexandre Vita, de 47 anos, era funcionário público e havia se aposentado poucos meses antes de sua morte — Foto: Reprodução/TV TEM

A manicure, que também é estudante de direito, diz que o sentimento na família é um misto de “raiva e tristeza”.

Segundo ela, o pai era uma pessoa calma que foi atacada de forma cruel, já que havia acabado de se aposentar por invalidez e que, por isso, não teve como se defender do ataque.

“Espero que ninguém se esqueça esse caso e que a justiça seja feita. Meu pai era a pessoa mais calma que conheci e ele fará muita falta pro neto que ele não pôde conhecer”, desabafa.

Caso

De acordo com a polícia, Alexandre Vita compartilhava o sinal de wi-fi com o vizinho, Evandro Leonardo de Paula, de 31 anos, mas teria desligado o aparelho.

Nervoso, Evandro teria ido até a casa do funcionário público na noite do último dia 3 e o esfaqueou. Alexandre não resistiu aos ferimentos e morreu no local.

A polícia foi acionada e o suspeito foi preso em flagrante na casa dele, onde também foi encontrada a chave da casa da vítima.

Ainda de acordo com a polícia, o vizinho confessou o crime e ainda contou que limpou o chão e lavou as roupas que ficaram sujas de sangue. Ele foi preso por homicídio qualificado e no último dia 4 a Justiça decretou sua prisão preventiva.

O funcionário público Alexandre Vita morreu dentro de sua casa, em Ourinhos — Foto: Reprodução/TV TEM

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